Quem nunca teve um amor de pica?
07 de abril
A história é nossa velha conhecida: garota conhece o cara, garota se interessa pelo cara, o cara se interessa pela garota. No entanto, à medida que vão se conhecendo melhor, a garota descobre que não tem assim, digamos, muito em comum com o tal cara, que ele não é lá tão interessante. Mas a garota anda meio carente, ele é gato, e ela resolve transar com ele. E não é que a transa é maravilhosa? De repente, como que num passe de mágica, o cara se torna irresistível, e a garota se vê totalmente apegada a ele.
“Num relacionamento, o sexo e o afeto se fundem, é difícil separar os dois”, afirma a sexpert e psicóloga Tatiana Presser. Mas será que as mulheres têm uma tendência maior a confundir sexo e afeto, e se tornam mais vulneráveis ao que chamamos “amor de pica”?
“Sem dúvida nenhuma existe a possibilidade de separar sexo de sentimento, mas para a mulher isso é uma missão um pouco mais difícil. Sexo para mulher é um claro sinal de intimidade. Então, talvez transar poucas vezes e não ter mais ligação com a pessoa não seja tão difícil, fica mais complexo se isso começar a se repetir com frequência, em geral a mulher vai começar a se envolver emocionalmente”, respondeu Tatiana.
E foi o que aconteceu com Luisa*. Ela conheceu Marcos* em uma festa na casa de uma amiga. Os dois conversaram, flertaram e acabaram ficando. Depois disso, se encontraram algumas vezes e, apesar de o papo ser legal, Marcos não despertava o interesse de Luisa completamente. Lá pelo quarto encontro, no entanto, Luisa pensou “o que eu tenho a perder?”, e foi para a cama com Marcos. Começava ali uma relação conturbadíssima, com sentimentos muito misturados.
“Era o melhor sexo da minha vida. Mas não tínhamos nada em comum. Ele não gostava do mesmo tipo de filme que eu, não conhecia as bandas que eu escuto, nunca tinha ouvido falar das festas que eu frequento. Eu não conseguia me ver tendo um relacionamento com ele, mas também não conseguia parar de vê-lo. E, é claro, como passávamos muito tempo juntos, desenvolvi um carinho muito grande por ele. Cheguei até a achar que estava apaixonada”, conta Luisa.
Mariana*, amiga de Luisa, viveu um “amor de pica” ainda mais improvável. Em uma viagem num feriado para uma praia perto do Rio, Mari conheceu um pescador. Papo vai, papo vem, acabaram ficando e transando. E foi na cama do pescador que Mariana passou boa parte do feriado. Não satisfeita, voltou à praia várias vezes naquele verão. E, em todas elas, saia muito pouco da casa dele.
“A famosa ‘paixão’ inicial da relação é basicamente uma grande ilusão. No fundo é uma mistura de um narcisismo profundo com rios de endorfina! Vamos pensar na outra pessoa como um queijo suíço, cheio de buracos. É assim que o outro se apresenta quando o conhecemos. Consequentemente preenchemos esses buracos com nossas fantasias e tornamos essa pessoa um espelho dos nossos desejos. Ao encarar essa perfeição o tesão sobe a mil e com isso nosso cérebro nos presenteia com a maior droga natural que existe: a endorfina. Por isso a vontade de estar, falar, transar, fazer tudo com essa pessoa, 24 horas por dia! O problema é que o tempo passa e os buracos do queijo começam a se preencher não mais com suas ilusões e sim com a realidade dessa pessoa, qualidade e defeitos. Observamos que o outro é apenas um ser humano como nós. A ilusão se vai e a endorfina, apesar de ainda nos visitar, não é com a mesma frequência e muito menos com a mesma intensidade”, finaliza Tatiana Presser.
Por Thais Farias



















